quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Peça do Mês | Dezembro
. IDENTIFICAÇÃO . Pena de escrever
. DATA . 1934 a1941
. DIMENSÕES . 23cm x 2.7cm
. PROVENIÊNCIA . Reserva do Museu da Cidade
Oficial do Exército, jornalista, fundador do Centro Eleitoral Republicano Aveirense [1881], professor e presidente da Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro, entre 1925-1930.
A coragem será, por certo, um dos atributos de Francisco Manuel Homem Cristo [1860-1943]. Vivendo de perto as mudanças de regime político foi fiel aos seus princípios e ideais, pelos quais pugnou sempre indiferente às críticas e injúrias que o apelidavam de o Pulha de Aveiro, às intimações e prisões ou às suspensões do serviço militar. A sua voz acutilante, expressa nos caracteres de O Povo de Aveiro foi critica de monárquicos em tempo da Monarquia e de republicanos em tempo de República. A pertinência dos seus artigos, em particular no início do século XX, alargou a área de influência do jornal para uma escala nacional, alcançando uma tiragem considerável que garantia a sua venda em inúmeras localidades.
Por todos estes motivos Homem Cristo é hoje considerado um dos maiores panfletários portugueses, não baixando as armas, nem aquando da sua estada forçada em Paris, para não ser preso [1912-1916]. Da capital francesa, em ambiente de Grande Guerra, imprime e envia O Povo de Aveiro no Exílio*, em colaboração com o seu filho, com quem o relacionamento nem sempre foi fácil devido às suas posições antagónicas. Não obstante, apesar dos ideais políticos divergentes, nunca perderam a estima e a amizade que os unia.
Regressado a Portugal, em 1916, retoma a publicação local sob o título O de Aveiro, que se manterá até 1927, ano em que o periódico volta à sua designação inicial O Povo de Aveiro que manterá até ao fim da publicação, em 28 de Junho de 1941. Nesta fase, a sua vertente interventiva causar-lhe-ia alguns contratempos com a Censura do Estado Novo. É deste último período a placa tipográfica do cabeçalho do periódico gravada em relevo sobre madeira.
Nortearam sempre a sua actuação o desejo e a preocupação de proporcionar informação aos seus concidadãos e de, em simultâneo, combater os elevados índices de analfabetismo da população. Aposta, por isso, na instrução entendida como causa e efeito da educação, a começar pelos seus colegas militares. Esta sua dedicação estará na origem da oferta de uma caneta de aparo, em forma de pena, com a inscrição “Um grupo de estudantes de Aveiro / a / Francisco Christo”.
Aveirenses Ilustres | Casa dos Morgados da Pedricosa
Na próxima quarta-feira, dia 14 de Dezembro, pelas 18h30 vamos realizar a última sessão do 4º. Ciclo de Palestras Sobre Aveirenses Ilustres, no auditório do Museu da Cidade, evocando a figura de Jorge Botelho de Eça, proprietário da “Casa Morgados da Pedricosa”. O orador será o Dr. José António Christo.
A denominada Casa dos Morgados da Pedricosa é uma das mais interessantes edificações aveirenses, datável entre os últimos anos de seiscentos e os primeiros da centúria seguinte. Situada dentro do perímetro das muralhas da antiga Vila, no alinhamento do Convento de Jesus de Aveiro, a sua fachada deitava para a Rua de Jesus e o seu flanco direito para a Viela da Nora, hoje a Rua Príncipe Perfeito.
Foi, segundo podemos interpretar pela leitura da pedra de armas da sua fachada, a residência de Jorge Botelho de Eça, descendente da geração dos Eças de Santa Comba Dão, Familiar do Santo Ofício, por carta de 16 de Junho de 1687, que exerceu os cargos de Juiz dos Direitos Reais e Escrivão da Câmara (1673 a 1701) e Almotaçaria da mui nobre e notável vila de Aveiro, pelo que ostenta um escudo esquartelado por Botelhos, por via feminina na sua mãe, Amélia Botelho de Proença, e Eças, pelo pai, João de Eça Teles (b. 3-2-1613), também ele escrivão da Câmara de Aveiro. A sua naturalidade não foi ainda apurada sendo referidos, por diferentes autores, Manteigas ou Aveiro como lugar do seu nascimento.
A ligação à Casa da Pedricosa, que se localiza a caminho do Vale de Ílhavo, efectiva-se através do casamento de Jorge Botelho com D. Joana de Almeida, sua primeira mulher, com quem casa em Vagos, em Janeiro de 1682, filha de Tomás da Cunha da Fonseca, natural desta localidade, e de D. Maria de Almeida, natural da Pedricosa.
Jorge Botelho lega a Aveiro, não só os resultados dos prestigiosos e importantes cargos que exerceu, mas também um imóvel que será aquele que mais evidentemente perpetua a sua memória, assinalando ainda hoje a sobriedade e rigidez da arquitectura civil portuguesa chã, a que a fidalguia local foi sensível.
Fontes: O Distrito de Aveiro, nas Habilitações do Santo Ofício, por Jorge Hugo Pires de Lima, Coimbra, 1968, Vol. XXXIV, p.308; Vagos e Casamentos, ADA – Arquivo do Distrito de Aveiro, fls.307v-308.

